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CONSTRUIR UMA CIDADE FELIZ

     Fev 11, 2014

cidade feliz

O que pode fazer para ter uma cidade feliz?

Corria o ano de 2001 quando os cidadãos de São Paulo foram convidados a dizer o que poderiam fazer para ter uma cidade feliz, um projeto único inserido no âmbito ‘Ética e Cidadania’ que ficou conhecido como ‘Psicodrama da Ética. Esta intervenção pública teve lugar em 153 locais, de 91 distritos, e reuniu respostas de dez mil habitantes. A principal conclusão a que se chegou foi que não existe paz nem ética na cidade, porque a cidadania não se manifesta sem participação e organização coletiva.

Num dos locais, a Praça dos Omaguás, freguesia do Ó, os principais problemas prendiam-se com o espaço da praça, que era frequentada por drogados e mendigos, e pela poluição sonora e incumprimento de leis a que estavam sujeitos os cidadãos pela circulação de motas nos passeios.  Gerou-se então uma partilha de opiniões acérrima e posteriormente um grupo de cidadãos reuniu-se, pois todos reclamavam aquele espaço como seu e da comunidade. Desta forma, os cidadãos organizaram-se e criaram formas de devolver o espaço aos habitantes, cuidando-o. A participação coletiva foi crescendo e, mais tarde, foi criado até um canal de televisão da comunidade, que apresenta os problemas a melhorar mas também o que de melhor aquele lugar tem para oferecer aos seus cidadãos.

Esta autonomia dos cidadãos, que perante os problemas dos seus espaços não relegam responsabilidades somente para autoridades camarárias ou governo, mas antes tomam a cidade como verdadeiramente sua, foi uma das principais conquistas e um dos principais desejos de Rosana Rodrigues, participante no evento de 2001 e uma das responsáveis pelo ‘Psicodrama Público’, programa que surgiu posteriormente em continuidade  com o ‘Psicodrama da Ética’. Semanalmente, no Centro Cultura de São Paulo, reúnem-se cerca de 60 a 200 pessoas para construir uma cidade feliz.

O movimento ‘Ética é Cidadania: Psicodrama da Cidade’ realiza também sessões de intervenção psico-sociodramáticas no espaço público, seja nas ruas ou nas escolas, nas quais se levam as problemáticas da cidade até ao palco.

Devido ao sucesso das intervenções, a mesma fórmula foi aplicada às áreas da assistência social, administração pública, saúde e transportes, com a realização de psicodramas dirigidos a diferentes grupos. Para além de chegar a diferentes áreas a iniciativa passou fronteiras e chegou à Argentina, México e Itália, tendo sindo realizado o I Sociodrama Público Simultâneo da América Latina, que contou com a participação de dez países deste continente, quatro europeus (Itália, Espanha, Inglaterra e Bélgica) e ainda com os Estados Unidos da América.

Para saber mais sobre estas intervenções, leia o artigo publicado anteriormente na IM Magazine (com texto do jornalista Pedro Justino Alves e design de Rita Correia).

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