Projetos e pessoas extraordinárias que estão a mudar o mundo


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Ana Teresa Silva

Nov 27, 2014 by

site AT

Jornalista e diretora da I’M Magazine.

Se me perguntassem o que fiz, falaria da breve passagem pela rádio, pela RTP, dos documentários que desenvolvi, da colaboração regular com a imprensa, das crónicas, da série diária de televisão, da criação da IM Magazine, do MSN Saúde & Bem-Estar, das peças de teatro, dos livros que escrevi…

 

Se me perguntassem o que sou, perder-me-ia com certeza em considerações, como num labirinto à procura da saída certa.  

 

Numa página qualquer do último livro que escrevi um dos personagens diz: “Vamos inspirar todas as vidas que em vida se apagam, todas as mentes que ainda acordadas adormecem, inspirar todos os braços que ainda fortes se resignam, inspirar todos os olhos que deixam de ver ainda vendo”. Há qualquer coisa de familiar no que tenho feito profissionalmente, nos projetos que tenho desenvolvido de informação e inspiração: nos bastidores mantém-se uma crença absoluta no potencial humano.

Hoje acrescentaria “Vamos trazer à tona a coragem que ficou presa no fundo, vamos reencontrar os sonhos perdidos nas gavetas, vamos olhar sim com as poderosas lentes cor-de-rosa do amor e da compaixão, redescobrindo o poder e a força daqueles que se esqueceram de lembrar o melhor de si”.  

 

Um dia também eu me perguntei, tal como Barry Lopez: “Como podemos viver uma existência moral e compassiva quando se está plenamente consciente do sangue, o horror inerente à vida, quando se encontra tanta escuridão, não só no mundo, na sua cultura, mas até dentro de si mesmo?” Ele fala de aceitar viver no centro desse paradoxo. Que não existem respostas para algumas das questões mais prementes. Reforça a possibilidade de tornarmos a nossa vida uma expressão valiosa na direção da luz.

 

Penso que esse pensamento também coabitou o meu percurso. Assim como a sensação que precisamos desequilibrar para avançar. Um passo atrás do outro. Foi no centro das minhas imperfeições que mais me descobri. No fundo da tristeza que percebi que sabia voar. Foi na máxima vulnerabilidade que conheci o amor. É naquelas cicatrizes que escondo que se encontram as mais belas histórias. É nas palavras tecidas nas entrelinhas, que mais me partilho.  

 

De certa forma, tudo isto me levou à criação da IM Magazine. Ela é pois, como um dia me disse um dos nossos entrevistados, a linguagem da dádiva.