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EXISTE MESMO UM PENSAMENTO GLOBAL?

Written by Roger Nelson      Set 17, 2015

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O impacto da consciência coletiva no mundo físico.

A História mudou o seu curso no final de 2001 quando o mundo assistiu chocado e horrorizado ao colapso das Torres do World Trade, destruídas por aviões de passageiros convertidos em bombas por terroristas. Foi um longo momento de profunda partilha de emoções por toda a parte, com o choque e o medo a tornarem-se em angústia e em compaixão. No meio da tragédia, muitos de nós pudemos ver sinais da humanidade em comunhão. Não era para ser assim, infelizmente. Mas, por um momento, houve uma poderosa convergência de pensamento e emoção em todo o mundo que se traduziu claramente nos dados do Global Consciousness Project. Talvez este instrumento científico também tenha captado a nossa coerência, a assinatura de um pensamento global incrédula desperta pela intensa atividade sincronizada das nossas mentes locais.

 

Respostas amplamente partilhadas a eventos são cada vez mais comuns porque as nossas redes de comunicação espalham a palavra instantaneamente quando os desastres rebentam. Os grandes terramotos da Turquia e o Tsunami no Oceano Índico criaram tragédias que todos vimos. A internet e os telemóveis e os transportes de alta velocidade estão a tornar o mundo acessível e interligado de formas que são novas, mas não estranhas. Os seres humanos são animais sociais e nós congregamo-nos naturalmente. Hoje em dia juntamo-nos em números nunca dantes vistos, mesmo que as distâncias globais nos possam separar fisicamente. Assim que o Ano Novo começa em cada parte do mundo, vamos tomando parte das celebrações nas ilhas Fiji, em Hong Kong, Novosibirsk, Londres, Nova Iorque, e partilhando antecipadamente estas doze badaladas singulares. A internet possibilita a prática de uma meditação organizada capaz de juntar um milhão de pessoas à volta do mundo numa concentração sincronizada. E as más notícias correm muito depressas no século XXI.

 

O Global Consciousness Project, ou GCP, é uma colaboração internacional de cientistas responsáveis pelo desenvolvimento de um instrumento concebido para captar os efeitos possíveis da consciência partilhada, muito na senda das experiências laboratoriais que mostraram os efeitos da intenção em aparelhos eletrónicos sensíveis através de números aleatórios. No laboratório, uma pessoa tenta mudar o comportamento de um Gerador de Números Aleatórios (ou GNA, embora no nosso caso, usemos o aparelho físico e não um programa informático) para produzir números mais pequenos ou maiores – o equivalente e lançar uma moeda ao ar e obter uma maior ocorrência de caras – apenas por se desejar ou pretender a mudança. As experiências demonstram que a intenção humana pode induzir pequenas, mas significativas, mudanças nos resultados de um GNA. Quando levamos os mesmos instrumentos para o terreno descobrimos que eles também respondem a momentos especiais de consciência grupal produzidos pela experiência partilhada em rituais ou cerimónias, ou inspirada por boa música ou encontros intensos do pensamento. O instrumento do GCP é uma rede de estações à volta do mundo onde dados aleatórios são recolhidos. Ele usa a mesma tecnologia que as experiências feitas em laboratório ou no terreno e coloca a questão natural: existe uma estrutura não-aleatória nos dados quando grandes eventos ocorrem? Implicitamente, estamos a perguntar se os GNAs podem captar provas da existência uma consciência global, mas serão necessários anos de trabalho e hipóteses para definir em pleno esta construção complexa. Por agora, definimos questões de pesquisa descrevendo aquilo que fazemos.

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Como tudo começou

O instrumento e as questões são ambos o resultado de um processo orgânico. No início dos anos 90, o desenvolvimento tecnológico possibilitou a disseminação dos aparelhos eletrónicos aleatórios usados nos laboratórios para o mundo exterior. Brenda Dunne, Bob Jahn e eu demos início a uma série de experiências “FieldREG”, no laboratório Princeton Engineering Anomalies Research, desenhadas para detetar algo que podia ser concebido como um “campo da consciência.” Perguntámos se grupos de pessoas trazidas pelas circunstâncias à ressonância ou coerência podiam partilhar uma consciência grupal cujos dados fossem registados nos nossos aparelhos aleatórios. A resposta foi sim, embora não houvesse qualquer intenção por parte do grupo de mudar os dados; nós simplesmente monitorizámos o ambiente do grupo. Nos anos que se seguiram, outras coincidências marcaram uma visão em desenvolvimento de uma consciência massiva e, em última análise, de uma consciência global sincronizada por eventos envolventes. Eu estava no lugar certo (nas termas de Esalen) precisamente na altura em que conheci um casal que estava a organizar um encontro global, Gaiamind Meditation, para 23 de janeiro de 1997. Era um caso de estudo natural, tal como foi o funeral da Princesa Diana, que concentrou a atenção e as emoções de milhões de pessoas em setembro daquele ano. Pedi a amigos na Europa e nos Estados Unidos para recolherem informação dos seus GNAs durante estes eventos globais. E, tal como nas experiências FieldREG, a síntese dos dados revelou uma estrutura não-aleatória associada a momentos definidos por pensamentos e emoções sincronizados. No outono desse mesmo ano, convidei colegas das áreas da parapsicologia e da psicofisiologia para nos reunirmos em Friburgo, na Alemanha, para partilharmos informação que pudesse beneficiar ambos os campos. Mas surgiu um resultado insólito que eu não esperava: as metáforas coincidentes da Eletroencefalografia multiponto (EEG) e as medições multifonte dos RNAs convergiram para um “EEG mundial”, bem formulado por Dean Radin.

 

Comecei a falar com colegas sobre a possibilidade de fazer um trabalho em rede permanente de RNAs que recolhesse dados em diversos pontos do globo, tal como elétrodos EEG na cabeça de uma pessoa. Coincidentemente, o meu filho Greg tinha elevados conhecimentos de programação e tempo livre suficiente para desenvolver a arquitetura e os programas essenciais para o que se viria a tornar no Global Consciousness Project. Ele sugeriu que, dada a inspiração dos estudos do cérebro com o EEG, nós pensássemos numa rede nova e de cobertura mundial como a ElectroGaiaGram ou a EGG. O nome ficou-nos na cabeça, claro, e chamámos ovo ao aparelho e ao programa do RNA em cada localidade anfitriã à volta do mundo; consequentemente o software que recolhe e arquiva toda a informação no servidor de Princeton é… o cesto.

 

Meses depois, o GCP estavas prestes a arrancar. O universo sorriu e disponibilizou as conexões e o financiamento necessário, e começámos a recolher dados em agosto de 1998, preparados para criar uma história de sequências aleatórias paralelas que podiam estar correlacionadas com a história dos maiores eventos da cena mundial. Tínhamos algumas questões pertinentes a colocar. Haverá algo a interligar-nos a todos, ainda que não nos apercebamos disso? Claro que os sábios o dizem desde sempre, mas como o podíamos comprovar do ponto de vista científico? Podia a Terra ter alguma resposta holística ao que acontece com a sua comunidade de seres vivos? Poderíamos observar a existência de um pensamento global? Além disso, havia questões mais diretas acerca dos parâmetros físicos, sociais e psicológicos que poderiam determinar os efeitos.

 

À procura de respostas

Estas são questões difíceis, mas interessantes, que não estão bem representadas na investigação moderna. Todas elas requerem clareza científica, mas as questões sobre a mente requerem também um gosto pela aventura em terrenos intelectuais que ainda não foram bem explorados. Desde o começo do século XX, um pequeno contingente de investigadores em áreas-limite da física e da psicologia têm atentado nas capacidades extraordinárias da consciência humana a que nos referimos como psi. O GCP é uma extensão dessa pesquisa, cobrindo um território inacessível a experiências laboratoriais.


Podemos, e fazemo-lo, perguntar se assuntos distantes, e se a dimensão do evento ou do números de pessoas envolvidas importam, e perguntamos quando tempo um efeito leva a manifestar-se. Fazemos perguntas acerca dos parâmetros sociais, tipos de eventos, valências positivas e negativas, fontes externas versus fontes internas, profundidade do envolvimento, entre outros. Com o contributo de mais de uma centena de cientistas, engenheiros, artistas, e amigos em todo o mundo, o projeto estendeu-se em poucos anos por cerca de 65 ovos anfitriões, cada um deles a reportar dados continuamente, em áreas desde o Alasca às Fiji, em todos os continentes povoados e quase em todos os fusos horários. O resultado é um instrumento de pesquisa baseado numa rede dispersa de aparelhos que aparentemente pode ser afetados pela consciência humana sob circunstâncias especiais. O seu propósito é reunir provas e indícios do alcance subtil da consciência no mundo físico a uma escala global. A hipótese genérica que levantamos é a de o leque de dados aleatórios do instrumento do GCP acabará por se tornar não-aleatório durante “eventos globais”. Prevemos desvios das expetativas quando houver uma partilha ampla e profunda de respostas mentais e emocionais. A proposta foi testada numa série de testes hipotéticos formais, criteriosamente definidos. Registámos mais de 280 experiências formais desde o princípio de 2009, olhando para os momentos especiais acima descritos. A nossa análise-padrão mede a variância da informação por toda a rede ao longo do evento. Esta quantidade é determinada por cada segundo, e é depois somada no decurso do evento. O resultado do evento é comparado com a expetativa de determinar a importância de qualquer desvio. Por outras palavras, o efeito GCP implica que o comportamento do RNA separado por distâncias globais se correlacione durante eventos de importância para as pessoas. É um resultado bastante misterioso que supera as nossas suposições científicas.

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Algo notável

Os resultados confirmam a nossa hipótese em cerca de dois terços dos casos e mostram a relevância de cerca de 20% dos eventos (5% era o esperado ao acaso). O resultado global de mais de 280 testes formais dá fortes indícios de que algo notável acontece quando estamos todos envolvidos numa comunidade de interesse e emoção. Um resultado final para os 10 anos de experiências que fizemos pode ser visualizado num gráfico cronológico que ilustra a acumulação sólida dos desvios dos dados formais em relação ao esperado até ao início de 2009. Quando não havia qualquer efeito, a linha recortada que representava os resultados tinha uma tendência plana, subindo e descendo aleatoriamente. Como mostra a figura, a verdadeira informação têm uma tendência sólida de subida. As estatísticas globais do projeto indicam que a probabilidade de a correlação da nossa informação com eventos globais ser uma mera flutuação casual é de cerca de 1 em 20 milhões, e podemos descartar explicações comuns como a radiação eletromagnética, tensão excessiva na rede elétrica, ou o uso de telefones móveis. Ainda que isto não possa servir como prova do despertar de uma consciência global é sugestivo. Em todo o caso, os resultados apresentem definitivamente enigmas desafiantes para a física e a psicologia. Não sabemos ainda explicar as correlações entre eventos de importância para as pessoas e os dados do GCP, mas elas são claras. Sugerem algo comparável com a imagem exibida em quase todas as culturas de unidade ou coesas, uma interconexão que é fundamental à vida. Os nossos esforços para compreender estes dados complexos podem contribuir para a descoberta do papel da mente enquanto força criativa no mundo, capaz de manifestar intenções ou de uma evolução consciente. Talvez seja possível acelerar o desenvolvimento da visão sofisticada de Teilhard de Chardin para o futuro do Homem.

 

Para mais informação sobre a história, a tecnologia e os métodos do projeto, assim como para aceder à sua base de dados, clique aqui.

 

Roger Nelson é o diretor do Global Consciousness Project (GCP), uma colaboração multi-laboratorial internacional fundada em 1997 para estudar a consciência coletiva. Se quiser saber mais sobre Roger Nelson, clique aqui.

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