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ANSIEDADE, PARA QUE TE QUERO! O LADO ADAPTATIVO DA ANSIEDADE

Written by Cláudia Sintra Vieira      Ago 10, 2015

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(English) A ansiedade não é um bicho-papão!

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Quantas vezes desejou não sentir ansiedade? Dá por si a pensar no que pode fazer para não a sentir? Mas será que podemos ou devemos evitar totalmente aquilo que consideramos muitas vezes ser o bicho papão da nossa vida – a ansiedade?

 

De facto parece que ao longo da nossa vida vamos pintando algumas das nossas emoções e, em particular a ansiedade, de tons escuros. Quase como se a ansiedade fosse sempre algo negativo e que queremos e devemos evitar a todo o custo, pois causa desconforto.

 

Mas já pensou que sem a ansiedade poderia estar muitas vezes em risco?

 

A ansiedade, apesar de ter má reputação, é uma resposta emocional universal que nos ajuda a enfrentar desafios, mobiliza-nos para a acção e preserva as nossas vidas.

 

Como?

Bem, se não sentíssemos alguma ansiedade quando estamos perante algum perigo ou ameaça, não conseguiríamos agir com prudência e agilidade, condições estas necessárias para nos proteger do perigo e reduzir a ocorrência de consequências negativas. A ansiedade é portanto um sistema presente no nosso corpo, que nos ajuda a lidar com o perigo e a ameaça (e.g. a ansiedade ajuda-nos a fugir da estrada quando um carro aparece em grande velocidade), ou a prepararmo-nos para algum acontecimento (e.g. motiva-nos a preparar uma apresentação importante). É uma resposta adaptativa que concede vantagens para lidar com determinadas situações de uma forma cautelosa e prudente.

 

Mas como é que a ansiedade funciona? – pergunta você.

 

A ansiedade funciona como um sinal de alarme através de sensações que se manifestam de diversas formas: a nível cognitivo (e.g. quando pensa que não vai conseguir lidar com a situação e fica apreensivo, com medo e inseguro), a nível fisiológico (e.g. quando sente o seu coração a bater com grande intensidade, respiração ofegante, suor, entre outros) e a nível comportamental (e.g. são todas as suas respostas comportamentais observáveis, como a fuga ou evitamento de certas situações). Para além disso, quando experienciamos ansiedade, o nosso corpo pode reagir de três formas diferentes: pode fugir (“flight”), lutar (“fight”) ou congelar/bloquear (“freeze”). Estas respostas ajudam-nos a defender das adversidades que cada situação pode apresentar no nosso dia-a-dia. 

 

Por exemplo, o sistema de alarme do nosso corpo pode ser ativado quando existe um perigo real, como ver um cão feroz na rua em que está a caminhar. Neste caso, podemos fugir (e.g. correr para bem longe do cão), podemos ficar congelados (e.g. ficamos quietos até o cão passar) ou podemos lutar (e.g. gritar e acenar por ajuda).

 

Consegue rever-se neste tipo de respostas? 

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Mas e será que a ansiedade só está presente nestas situações de perigo real à nossa integridade física?

 

Não. Esta resposta pode igualmente acontecer em situações mais específicas do dia-a-dia em que o nosso cérebro interpreta como perigosa, mas na realidade não o é, como por exemplo uma entrevista de trabalho. Pode sentir-se nervoso, desconfortável ao ponto de evitar a entrevista (foge), pode gritar com as pessoas, pois sente-se impaciente (luta), ou pode apresentar alguma dificuldade em pensar claramente sobre as coisas que lhe perguntam (congela).

 

Mas já pensou que a reacção de congelamento é funcional perante um precipício, assim como a fuga ou evitar um animal ameaçador? Até mesmo o estranho comportamento de desmaio resultado da diminuição do batimento cardíaco e da pressão arterial perante ferimentos ou sangue se torna compreensível e útil para o indivíduo que o apresenta, se se considerar que esta resposta vai minimizar a perda de sangue nestas situações.

 

No fundo, o tipo de resposta defensiva ativada depende sempre daquilo que o nosso cérebro interpreta como ameaçador e isso determina a forma como nos sentimos e comportamos perante diversas situações.

 

Contudo, como todos os alarmes ou defesas, o medo e a ansiedade podem ter uma frequência ou intensidade desproporcionais em relação às exigências da situação (e.g. quando reagimos de forma exagerada ou sem razão aparente, perante a possibilidade real ou imaginária de uma ameaça); pode persistir para além do período desejável de atuação, perdendo assim o seu valor adaptativo de preparação e ativação perante o perigo ou ameaça, afectando significativamente a qualidade de vida de todos nós.

 

Surge então, aquilo a que muitos chamam o bicho-papão da ansiedade, que são reações que estão além do controlo voluntário, caracterizadas por pensamentos negativos e catastróficos, comportamentos desadaptados e uma hiperestimulação fisiológica, que causa um grande sofrimento em todos nós e interfere com a nossa vida.

 

O que pretendemos não é deixar de sentir ansiedade, pois isso seria desvantajoso para a nossa sobrevivência, mas por outro lado, quando em excesso, o que pretendemos não é eliminá-la mas aprender a lidar e a minimizar o desconforto que esta nos possa trazer.

 

Vamos dar outra cor à ansiedade e deixar de vê-la como um bicho-papão?!

 

Desafie-se a si mesmo a olhar para esta emoção de uma forma mais adaptativa e funcional! 

 

Nota sobre a autora: Cláudia Sintra Vieira é psicóloga na Oficina de Psicologia.

 

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