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OLMO: A NOVA PLATAFORMA PORTUGUESA DE CROWDFUNDING

     Jan 15, 2014

Escrito por Joana Bonifacio da Silva

Quando falamos no atual mundo globalizado, talvez a primeira imagem que nos ocorra passe pela ligação a que estamos sujeitos, por via das tecnologias de informação. A troca de conhecimento, a partilha de informação, a difusão e transmissão de dados em tempo cada vez mais real constituem os primeiros sintomas da nossa aldeia global. Através desta premissa e deste nosso estatuto quase omnipresente, os vários setores da sociedade têm aprendido a desenvolver-se e a aprimorar-se. Porque a ligação entre pessoas estimula o crescimento, a criação de novos conteúdos e a invenção de novos formatos que lhes possibilitem crescer. É a isto mesmo que nos referimos quando falamos de crowdfunding a uma forma inovadora de angariar recursos, monetários ou não, para o desenvolvimento de um determinado projeto.

 

Como o próprio nome indica, o termo anglicano significa financiamento coletivo. Trata-se de reunir os recursos necessários para a concretização de um projeto por meio de doações, em valor ou espécie, que partem de várias pessoas. O processo é relativamente simples: numa plataforma na internet são apresentados vários projetos – como uma página de facebook – que têm associado um valor monetário correspondente ao que pretendem amealhar. Quem quiser fazer uma doação tem apenas de escolher o projeto que mais gosta e a partir desse ponto faz uma transferência do valor que quer – tal como acontece numa qualquer outra compra na internet. Consoante o valor dado, a quem fez a doação é ofertado algo, como forma de gratificar a contribuição. O conteúdo das ofertas e a sua correspondência aos valores dados são decisão de quem promove o projeto.

 

O tempo que um projeto pode estar em aberto numa plataforma de crowdfunding, as fronteiras, mínima e máxima, dos valores a requerer, a nacionalidade dos mentores dos projeto e o facto de os valores doados só serem efetivamente transferidos quando o objetivo é conseguido na totalidade ou não, são tudo fatores que variam consoante a plataforma de crowdfunding.

 

Outro aspeto a ter em conta prende-se com as áreas temáticas para as quais cada plataforma está orientada. Embora por um lado existam plataformas bastante flexíveis relativamente à natureza e conteúdo dos seus projetos, por outro existem também plataformas completamente vocacionadas para projetos de determinada índole temática. Quando falamos de crowdfunding e em áreas temáticas é impossível não mencionar a plataforma Kickstarter. Talvez a mais conhecida e totalmente orientada para projetos artísticos.

 

Atualmente, são muitas as plataformas deste tipo, abertas ao mundo ou apenas ao seu país, espalhadas um pouco por todo o globo.

 

Portugal conta já com vários espaços online destinados ao crowdfunding.

Fomos conhecer a plataforma recém-nascida OLMO.

 

Foi numa reunião de negócios entre sócios da Terceiro Quadrante – empresa de consultoria da área social para o terceiro sector – e da TWO – empresa tecnológica – que as ideias que viriam a dar corpo à OLMO surgiram. James Kirkby (da Terceiro Quadrante, em baixo na foto, cortesia da Olmo) e Erik Faerch (da TWO) discutiam a necessidade de envolver mais as empresas em projetos de natureza social, e a melhor forma de o fazer, e a ideia surgiu.

 

James Kirkby OLMO

“Estávamos a falar dos problemas das empresas que também põem em prática os seus próprios programas de responsabilidade social. Estávamos a pensar em como facilitar esse trabalho às empresas e o Henrike Feyer falou da ideia de arranjar mecanismos de transferências de ajuda entre empresas e instituições sociais e pediu-nos a nós, Terceiro Quadrante, para desenvolver essa ideia e pensar na melhor forma de conseguir esse objetivo e envolver mais empresas nessa área”, conta James Kirkby.

 

Este é de resto um dos traços mais caracterizadores desta nova plataforma: dirige-se unicamente a projetos de cariz social. Para além deste ponto, distingue-se também das demais por se tratar essencialmente de uma plataforma de crowdsourcing. O que quer dizer que, ao contrário do que se verifica na maioria deste género de plataformas, a entidade promotora apresenta o orçamento detalhado de tudo o que necessita e que perfaz o valor total pretendido. Como nos conta Kirkby, “as pessoas não se limitam só a dar dinheiro para um bolo muito grande, as pessoas sabem exatamente para aquilo que vão dar”, comparando o método ao já muito conhecido sistema de lista de casamento.

 

O objetivo passa por primar pela idoneidade e transparência durante o processo. Desta forma, quem pretende fazer uma doação pode efetuar uma transferência monetária (via paypal) de acordo com o valor dos produtos, tendo a clara ideia daquilo que está a dar, como salienta James Kirkby “a pessoa tanto pode doar uma caixa de giz como pode dar uma caixa de parafusos”; ou pode optar por oferecer os produtos em espécie, entrando em contacto com a equipa OLMO que trata da logística envolvida no processo. Esta opção é justificada pela consciência de que muitas vezes existem recursos excedentes que assim, em vez de serem desperdiçados são aproveitados e pela ideia de que desta forma é possível envolver produtores. Na prática o processo de financiamento depende de apenas quatro simples passos: clicar em ‘comprar materiais’, selecionar o bem, a quantidade pretendida e clicar para efetuar a compra.

 

Quando os projetos atingem a totalidade do financiamento, o valor monetário e/ou os produtos são transferidos e/ou entregues à entidade promotora.  No caso de o prazo em que o projeto está aberto na plataforma expirar, na OLMO é de 6 meses, as transferências não se concretizam. Segundo o mentor da OLMO, esta decisão prende-se mais uma vez pela transparência com que querem pautar o trabalho. Na sua opinião “se um projeto precisa de determinado valor, calculado de forma justa, o mesmo não será exequível com menos recursos”, garantindo assim a quem doa uma correta utilização da sua oferta.

 

Outra forma de salvaguardar a idoneidade do trabalho da plataforma OLMO diz respeito à submissão dos projetos. Para figurarem na plataforma estes passam por um processo de avaliação segundo vários critérios. A apreciação é feita pela equipa da OLMO e pelos parceiros da marca sediados no país de intervenção do projeto que não só validam as entidades que o promovem, como também estudam a sua viabilidade face ao seu contexto geográfico, económico e social.

 

Nesta primeira fase, prevista até Maio, a plataforma encontra-se em fase experimental e conta apenas com três projetos dos três países em que a OLMO estrategicamente escolheu estar presente: Portugal, Moçambique e São Tomé. São assim aceites doações, mas não novas submissões. Depois desta fase beta, a OLMO abre portas a todos os projetos com entidades promotoras nestes países, exclusivamente, atendendo à sua filosofia de avaliação e transparência.

 

Para o futuro, como nos conta Kirkby, e idealmente até 2015, o objetivo passar por alargar a rede de parceiros, estendendo assim a OLMO a novos países. Porque esta pretende ser uma plataforma internacional, não só com projetos de outras paragens, mas também com uma plateia global, para que deste modo seja possível crescer de forma sólida e sustentável.

 

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