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PELA SUA SAÚDE, APRENDA A DIZER NÃO!

Written by Rita Fonseca de Castro      Jul 23, 2015

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Porquê e como.

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Num tempo em que as solicitações tendem a aumentar e a chegar pelas mais diversas vias, aprender a dizer que não assume cada vez maior importância. Quantas vezes não temos dificuldade em responder negativamente e em estabelecer limites com familiares, amigos, conhecidos ou colegas. Quantas vezes não damos por nós em eventos nos quais não queríamos estar, a aceitar trabalho quando já não temos tempo para mais solicitações, presos numa teia de obrigações e deveres que não correspondem aos nossos verdadeiros desejos, necessidades e capacidades?

 

Muitas vezes o sim corresponde tão somente ao desejo de agradar e ser aceite, levando-nos a comportar de uma forma que conduz os outros a julgarem-nos “encantadores”. Há autores que se referem a este padrão de comportamento como “A Maldição do Encantador”, traduzindo um paradoxo: por um lado a pessoa quer ser tida como encantadora, por outro, sente que está condenada a sê-lo, presa num ciclo inquebrável, forçada a dizer sempre sim. No extremo deste padrão de aceitação, há quem destrua ou prejudique relacionamentos, carreiras e bem-estar, acreditando que, para agradar, ser aceite, amado e não se envolver em conflitos, tem que limitar o seu repertório de comportamentos àqueles que julga que vão ser aprovados pelos outros. Contudo, estas atitudes podem equivaler a uma anulação das nossas necessidades e desejos e à repressão de sentimentos para não defraudar expectativas que, muitas vezes, mais não são do que construções nossas e que acabam por fazer de nós seus prisioneiros.

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Se, de facto, dizer que não é uma competência fulcral da assertividade e fundamental para privilegiar as nossas necessidades, porque é tão difícil dizê-lo? Em primeira instância, porque não queremos magoar, desiludir ou enraivecer aqueles que ouvem o nosso não. Na génese desta “obrigação” de responder afirmativamente podem estar regras rígidas que foram transmitidas em idades mais ou menos precoces pelas figuras cuidadoras, pares ou outros, normalmente numa lógica de “tudo ou nada”, sem flexibilidade, o que se nota no uso de expressões como “eu devo” ou “eu tenho que”, bem como na crença (irracional) de que ser forte, seguro e auto-confiante, ser aprovado e agradar implica nunca dizer que não. Na mesma linha de pensamento pedir ajuda também é algo a evitar.

 

Dizer que não pode ser encarado como uma forma de chamar a atenção. Quem quer agradar não quer que pensem tal coisa sobre si! Dizer que não também traz culpa, com a qual ninguém quer lidar.

 

Ao sermos incapazes de dizer que não, acabamos por privilegiar as prioridades dos outros; o tempo que podíamos dedicar à família e outras figuras importantes vai ser ocupado com assuntos e pessoas que não são relevantes; vamos ter mais stress e frustração e menos tempo para descansar; não vamos ser capazes de responder sim aos pedidos realmente importantes. A produtividade diminui e perdemo-nos entre tantas solicitações.

 

Se a expressão das necessidades do próprio significa ser rejeitado e não amado, partes importantes de si são anuladas, incluindo sentimentos negativos de que os outros não têm sequer consciência, porque externamente a pessoa mostra-se sempre agradável e simpática. Acresce que, muitas vezes, e sobretudo em contexto profissional, não queremos criar “mau ambiente”.

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Embora a mudança pareça impossível para quem se vê “preso” nesta “rede de sims”, este padrão de comportamento pode ser alterado e é possível que não se sinta limitado e encurralado pelas expectativas dos outros. Pode começar por fazer mudanças pequenas e exequíveis. Entre o vasto leque de dicas e estratégias para que seja (mais) capaz de dizer não, ficam algumas sugestões:

 

– Esteja consciente de quais são os seus compromissos assumidos e qual o valor que o seu tempo tem. Assim, quando lhe fizerem um pedido, saberá se dispõe ou não de tempo efectivo para o aceitar.

– Conheça e defina prioridades. Mesmo que tenha algum tempo livre, com quem gostaria de o passar? Privilegie essa companhia, em detrimento de uma nova solicitação. Pense que cada vez que diz não a algo que não tem importância, está a dizer sim a algo que realmente importa.

– Tenha consciência das suas emoções, prestando especial atenção aos sinais do seu corpo, de forma a comportar-se mais de acordo com aquilo que sente e precisa. Ao ser capaz de compreender os seus estados emocionais e o que está a suceder na esfera comportamental, começará a conseguir identificar o que não quer fazer ou dizer, mas que está, na realidade, a fazer e a dizer.

– Se esta for uma tendência sua, desista de tentar ser sempre simpático. Embora ser educado e agradável seja fundamental nas relações interpessoais, dizer que sim a tudo vai prejudicá-lo. Se os outros perceberem que é fácil dispor do seu tempo, fá-lo-ão sem hesitar. Caso consiga erguer uma “barreira”, mostrando que o seu tempo é precioso e que tem uma postura firme e recusa solicitações, as pessoas procurarão “alvos” mais fáceis.

– Pratique a “arte de dizer não”. Quanto mais vezes disser que não, mais confortável se sentirá com a própria palavra quando tiver que a dizer. Isto é mais importante quando lida com pessoas particularmente persistentes. Se sentir que a sua mensagem não está a passar, repita o não até que ela passe efectivamente.

– Não se sinta forçado a pedir desculpa. Muitas vezes pensamos que ao dizer “peço desculpa, mas…” a recusa vai ser mais delicada. Contudo, esta forma de verbalização enfraquece o não e retira firmeza ao que é dito.

 

Nota sobre a autora: Rita Fonseca de Castro é psicóloga na Oficina de Psicologia.

 

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