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QUANDO PARAMOS PARA OLHAR PARA O OUTRO

Written by Cláudia Vitorino      Jul 19, 2015

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Quando o outro é um espelho de nós mesmos.

op1_outroDentro de nós permanecemos, ou assim gostamos de pensar, seguros e senhores de tudo sobre o que pensamos e observamos. Assim, podemos dentro de nós parar e olhar na direção que escolhermos, quer essa direção seja interior ou exterior.

 

Mas quando paramos, olhamos, sentimos e projetamos também. E aí pensamos, ‘gosto/não gosto’, ‘aceito/desaprovo’ e por vezes até conseguimos perceber, se pararmos mesmo, se o que vemos é ‘nosso’, ou do ‘outro’.

 

Quer falemos de qualidades, quer de defeitos, podemos deslocar essas visões de nós para os outros. E pode ser assim que, por vezes, dizemos que a culpa é das estrelas ou que o sucesso foi um mero acaso de um dia de sorte…

 

De um modo mais atenuado, a forma como olhamos o outro pode ajudar-nos a tornarmo-nos mais confiantes e ajustarmo-nos à realidade. De facto, até o podermos fazer a brincar ou fantasiar, tal como fazemos quando vemos um filme, por exemplo. Também podemos diminuir a nossa angústia se nos sentirmos protegidos ou acolhidos por alguém ou por algum grupo social. Porém, em excesso, pode causar-nos dependência e impedir-nos de enfrentarmos os nossos problemas ou de nos ajustarmos à imagem que temos de nós e dos outros.

op2_outroDe facto, aceitarmos que podemos ter cá dentro o que nem sempre aprovamos nos outros é um processo difícil para a maior parte de nós. Tanto mais difícil pode ser, quanto mais exigentes somos connosco, na realidade. E se isso sucede, lá vem a exigência perante o que achamos que devemos ser ou conseguir fazer, e por conseguinte aquilo que também exigimos dos outros.

 

Perfecionismo a quanto obrigas! Aceitação o quanto exiges!

 

Se queremos mudar algo no outro, não deveríamos primeiro olhar para dentro e identificar o que gostaríamos de alterar em nós?

 

Que magia pode existir na intimidade de um olhar verdadeiro e cúmplice sobre o outro ou com o outro? Quando passa o outro a ser mais que um objeto? Mais do que apenas um estímulo, um elemento entre tudo o que nos rodeia?…

 

Quando paramos, refletimos e meditamos, podemos de facto ver para além de apenas olhar… E não tem de ser um processo solitário: a dois, em grupo, pode também ser uma experiência e tanto! E não tem de ser um olhar, pode ser um ouvir, um sentir.

 

Quando paramos, damos atenção, damos pertinência, oferecemos respeito e valor aos outros. Talvez aí resida a verdadeiro valor em nós, na qualidade com que nos relacionamos connosco, e com os outros. E estamos, permanecemos… no aqui e no agora.

 

Sim, quando paramos para olhar o outro… paramos para olhar para nós.

 

Nota sobre a autora: Cláudia Vitorino é psicóloga na Oficina de Psicologia.

 

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