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VERGONHA – QUEM ÉS TU E PARA QUE SERVES?

Written by Cláudia Vieira      Jul 17, 2015

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Acima de tudo, não tenha vergonha de ser quem é.

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Quantas vezes já perguntou a si próprio para que serve a vergonha? A vergonha é uma emoção de extrema importância social, que apresenta um papel fundamental na forma como orientamos, moldamos e direcionamos o nosso comportamento. Esta emoção surge por volta dos dois anos e tem influência no desenvolvimento da nossa identidade, mas também está ligada à relação que nós estabelecemos com os outros.


Assim, o facto de sermos animais sociais com necessidades de vinculação e pertença ao grupo, e de querermos existir de forma positiva na mente do outro orienta-nos, inevitavelmente, para a experienciação de vergonha.

 

“Parece estranho?” – diz você.

 

Na verdade, não é assim tão estranho. Pois o facto de possuirmos capacidades complexas que nos permitem avaliar a forma como existimos na mente do outro e de predizer aquilo que os outros pensam e sentem acerca de nós, faz com que a vergonha seja o ‘preço a pagar’ pelo facto de sermos autoconscientes. Logo, quando percecionamos que existimos na mente do outro de forma negativa, mas também como socialmente indesejados, inferiores, inadequados, vamos sentir vergonha.

 

Quando sentimos vergonha, esta pode ser externa ou interna:

 

Vergonha Externa é aquela que está relacionada com a “forma como existimos na mente dos outros”. Quando pensamos que os outros nos veem com afeto negativo – especialmente com desprezo, desejo de criticar, excluir ou evitar -, a vergonha externa é ativada.

 

“Mas eu posso mostrar ao outro que sou bom! Posso fazer com que exista na mente dos outros de forma positiva” – diz você.

 

O problema é quando sentimos que não temos capacidades para criar imagens positivas na mente dos outros, e achamos que os outros nos vão rejeitar ou ter um comportamento intransigente connosco, caso falhemos ou expressemos determinados sentimentos, opiniões, desejos ou características.

 

E é aqui que a vergonha externa surge e o mundo passa a ser visto de forma não segura e por isso tendemos a recorrer a comportamentos defensivos para nos protegermos contra estas ameaças à nossa identidade pessoal e social.

 

Por sua vez, quando isto acontece uma das respostas automáticas é a Vergonha Interna, ou seja, quando sentimos que vivemos na mente do outro de forma negativa, tendemos também a desvalorizarmo-nos, sentimos que somos maus, que não temos valor ou não somos desejados. No fundo, contribuímos para a autodesvalorização e o autocriticismo, que geram muito sofrimento em diversas áreas da nossa vida. 

 

E já pensou que, normalmente, a vergonha interna ocorre quando vemos o outro como superior, significativo e detentor da capacidade e legitimidade para nos avaliar e julgar?!

 

“Mas há pessoas realmente superiores a nós e por vezes têm que dar feedback em relação ao nosso trabalho. Como pode ser isso um problema?” – pergunta você.

 

O problema está quando concordamos e interiorizamos as avaliações negativas que fazem acerca de nós próprios e as tornamos verdades absolutas – vê-se a si como os outros lhe dizem que é! Quando isso não corresponde à realidade, pois todos nós somos mais do que aquilo que fazemos.

 

“Então, a Vergonha é então uma coisa má?” – pergunta você.

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Não. De uma forma geral, a vergonha é uma emoção adaptativa, porque permite estimular ou gerar nos outros sentimentos positivos acerca do eu, de modo a obter aprovação, aceitação e atenção social positiva; alerta-nos quando não se está a gerar afeto positivo suficiente na mente dos outros para se ser escolhido; permite ainda inibir comportamentos sociais inadequados (e.g. andar na rua sem roupa), proteger-nos de possíveis ataques, rejeições e separações, e promover oportunidades para o desenvolvimento de relações sociais vantajosas.

 

A forma como a vivenciamos dentro de nós é que poderá constituir ou não um problema: se associarmos o nosso valor àquilo que os outros pensam de nós e aos nossos resultados, a nossa felicidade estará sempre a depender de fatores externos. E como estes estão em constante mudança, permitimo-nos caminhar nessa instabilidade e trazê-la para a forma como vivemos e vemos a nossa vida.

 

Orgulhe-se de si sem que isso dependa exclusivamente da opinião dos outros!


Não tenha Vergonha de ser quem é!

 

Nota sobre a autora: Cláudia Sintra Vieira é psicóloga na Oficina de Psicologia.

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