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O MOVIMENTO DO POTENCIAL SOCIAL

Written by Barbara Marx Hubbard      Mar 21, 2015

Keir Watson

Um movimento que está no limiar de um despertar massivo, procurando transpor para a sociedade o que indivíduos e pequenos grupos aprenderam a nível espiritual e pessoal.

O movimento do potencial humano começou por atrair a atenção do público nos anos 60 com a obra fundamental de Abraham H. Maslow, Viktor Frankl, Robert Assagioli, e outros que descobriram, cultivaram e afirmaram o expoente máximo da natureza humana. Eles desenvolveram técnicas e práticas de modo a estimular o potencial humano inexplorado. Na sua obra de referência, Introdução à Psicologia do Ser, Maslow identificou uma hierarquia de necessidades humanas inerentes a cada um de nós. Disse que todos temos necessidades básicas de sobrevivência, segurança e autoestima. Quando essas necessidades básicas são supridas, um novo conjunto de necessidades surge naturalmente. São necessidades de crescimento para a autoexpressão, trabalho que é intrinsecamente valorizável e auto-gratificante. Depois emergem as necessidades transcendentes: estar conectado a um todo maior – e um todo com uma Fonte – para transcender os limites da própria consciência autocentrada.

 

Maslow teve a genialidade de estudar as pessoas “saudáveis” mais do que as doentes e descobriu que todas as pessoas nas suas plenas funções, felizes, produtivas e autorrealizadas têm um traço em comum: escolheram uma carreira ou uma vocação gratificante e de valor. Se não encontrarmos o nosso propósito de vida no estágio de crescimento, observou, ficamos doentes, deprimidos e até violentos. As pessoas na sociedade moderna, disse ele, balançam entre necessidades de sobrevivência e de crescimento para a autoexpressão e a autorrealização numa cultura de significado intrínseco.

 

Através do movimento do potencial humano, milhões de homens despertaram, transpondo a barreira das necessidades de sobrevivência para as de crescimento. Apesar disso, todos nós acabamos por querer encontrar um propósito e um sentido para a vida – uma comunidade potencialmente gigantesca de pessoas, talvez a maioria delas no mundo desenvolvido (onde as necessidades básicas estão relativamente satisfeitas).

 

O movimento de potencial social assenta no movimento de potencial social humano. Ele busca identificar e mapear picos de criatividade social e trabalhar em prol do bem-estar social, uma sociedade autorrealizada, da mesma forma que o movimento de potencial humano cultiva a autorrealização individual. Busca inovações sociais e concebe sistemas sociais que trabalham em prol de uma sociedade global enriquecida. Acredito que o movimento de potencial social está no limiar de um despertar massivo, procurando transpor para a sociedade o que indivíduos e pequenos grupos aprenderam espiritual e pessoalmente.

 

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Uma Agenda Evolutiva

O movimento de potencial social é o catalisador vital da nossa viagem ao longo do século XXI e da concretização do nosso potencial no terceiro milénio. Ele está agora a emergir na sociedade e está pronto para uma visão partilhada que nos atraia e conecte, não só uns com os outros, mas também com a sociedade no seu todo. É tempo de caminharmos rumo a uma nova agenda evolutiva – não para uma reforma, mas para uma mudança assente no uso pleno e apropriado dos nossos imensos poderes. Esta agenda baseia-se na hierarquia das necessidades sociais, que nos incita a:

 

  • suprir as carências alimentares e de proteção de todos;
  • limitar o crescimento da população;
  • restaurar e sustentar o meio-ambiente;
  • aprender a coexistir com outras espécies;
  • aprender o desenvolvimento económico sustentável e novas formas de democracia monetária;
  • passar de um vasto complexo militar-industrial-tecnológico para a construção de novos mundos na Terra e no espaço;
  • redesenhar os sistemas sociais e económicas para estimular a compaixão humana, a cooperação e a criatividade;
  • emancipar o potencial único e o propósito de vida de cada indivíduo;
  • explorar e desenvolver as fronteiras do espírito humano e do universo para além do planeta em que nascemos;
  • guiar as novas tecnologias radicais, como a genética, a nanotecnologia, a robótica e a exploração especial em direção a um propósito de vida definido.

 

O que aconteceria se começássemos a usar os nossos poderes científicos e tecnológicos no âmbito de uma agenda tão evolutiva, ilimitada? Velhas profecias previram a nossa auto-destruição, mas poucos de nós viram a magnitude daquilo em que nos poderíamos tornar, coletivamente, através do uso de todos os nossos poderes – espirituais, sociais, científicos e tecnológicos. No passado, as nossas visões gloriosas do futuro – céu, paraíso, nirvana – aconteceriam depois da morte. O novo pensamento diz que não temos de morrer para lá chegarmos. Não estamos aqui a falar da vida depois da morte como espécie de céu místico, mas de uma vida mais abundante no nosso presente histórico. Estamos a descobrir e a participar no próximo estágio da nossa evolução social, a próxima viragem na Espiral Evolutiva.

 

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Um Processo de Ação Motivada pelo Espírito para o Século XXI

Sabemos agora que um padrão ou modelo de ação, também conhecido como DNA,está codificado nos genes de cada ser vivo e guia-o desde a conceção ao longo da gestação, do nascimento, crescimento e morte. A partir do estudo da epigenética, também aprendemos que o DNA é um enredo influenciado pela membrana da consciência que envolve a célula. Não é estático nem imutável; reage ao seu meio. Tal como o corpo humano, o planeta Terra é um sistema vivo. Não é possível, pois, que haja uma tendência pré-padronizada (mas não predeterminada), um modelo codificado para a evolução planetária, tal como existe para a evolução biológica? E que a nossa atitude, consciência e cada ação afete o nosso ciclo vital?

 

Do mesmo modo que há um ciclo biológico, é evidente que existe um ciclo de vida planetário. A conceção da Terra ocorreu com o big bang. O período de gestação incluiu os seus 13.8 biliões de anos de evolução, desde a sua formação há 4.5 biliões de anos, até à origem da vida humana. O seu “nascimento”, ou despertar coletivo, acontece agora que nos começamos a aperceber de que somos um só corpo planetário, capaz de se autodestruir ou de contribuir para a criação de um futuro imensurável, na Terra e no universo além dela. E sabemos que daqui a 4.5 biliões de anos o nosso sol se irá expandir e destruir todos os planetas no sistema solar. Estamos precisamente a meio do ciclo de vida do nosso planeta. Ainda não vimos outro planeta viver esta mudança, por isso não temos termos de comparação. Mas imaginemos por agora que somos um evento planetário normal no universo e que há um padrão codificado na nossa consciência espiritual, social e científica, prestes a ser ativado e a afetar as nossas ações, quando for altura de uma evolução consciente, como se os discos imagéticos se auto-organizassem em novas funções orgânicas quando a lagarta estiver pronta para se metamorfosear.

 

Para despertar o nosso magnificente potencial social, precisamos, antes de mais nada, de tomar consciência da nossa “nova estória”, da nossa estória evolutiva. Esta estória situa-nos no cosmos e revela-nos o nosso papel vital na nossa própria evolução e do nosso mundo.

 

Acredito que as crises e as oportunidades que hoje enfrentamos estão a acionar o próximo estágio da evolução planetária e que nós, membros do corpo planetário, estamos a ser despertados para as nossas novas capacidades pessoais e sociais para participar na nossa evolução. Isto não é um plano imposto por qualquer grupo ou indivíduo, mas em vez disso um modelo de evolução, uma tendência face a uma ordem e uma consciência mais elevada e complexa, com a qual podemos cooperar e concordar para repadronizar os nossos sistemas sociais e evoluir individualmente.

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Excerto do livro Conscious Evolution. Copyright © 2015 por Barbara Marx Hubbard. Publicado sob autorização da New World Library. www.NewWorldLibrary.com

 

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