Projetos e pessoas extraordinárias que estão a mudar o mundo


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TANJA HOLLANDER – ARTISTA. EMPREENDEDORA.

Written by Joanne Wilson      Mai 19, 2015

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Os artistas são empreendedores. Eles criam, trabalham por conta própria, têm que ser suficientemente hábeis de forma a conseguirem alguém que venda o seu trabalho para poderem sobreviver e/ou, claro, precisam de o vender eles próprios. É difícil, mas se ser artista é parte do seu DNA, não é algo que consiga evitar. Depois de falar um bocado com a Tanja, acerca do seu percurso e da sua forma de pensar no que toca à evolução do seu trabalho, fiquei fascinada ao ver a mesma criatividade artística na nossa filha Jessica, que se está a tornar numa artista.

 

A Tanja chegou até mim via e-mail e falou-me do seu projeto chamado “Are You Really My Friend.” O e-mail dela despertou logo o meu interesse. O que ela tinha aprendido no processo de criação deste trabalho. Então, ela pediu-me que nos encontrássemos e assim foi. 

A Tanja cresceu em St. Louis e mudou-se para o Maine com 14 anos. Uma mudança dura para essa idade. O pai dela é tutor legal de crianças envolvidas em disputas de custódia. A mãe dela era assistente social e começou a trabalhar em legislação relacionada com a prevenção do abuso de menores quando eles mudaram para o Maine. St. Louis estava a tornar-se cada vez mais violenta e os pais da Tanja queriam ir viver para um lugar no litoral que fosse mais económico e seguro. Foi quase um choque. A Tanja transferiu-se de uma escola de topo em St. Louis, onde se sentia à vontade para se deslocar, para uma escola pública menos rigorosa no Maine, onde era controlada pelos pais. Acabou por concluir o ensino secundário cedo, saiu dali e foi trabalhar como empregada de mesa para poder pagar o seu próprio apartamento e começar uma vida independente. Os pais dela imploraram-lhe que fosse para a universidade e ela candidatou-se à de Hampshire. Um profundo suspiro de alívio para eles ela ter-se formado e ter-se especializadoem Fotografia, Cinema e Estudos Feministas.

 

Nas férias de verão da faculdade, a Tanja voltava a casa e trabalhava para o pai. Ela adorava, uma vez que não tinha nada a ver com o trabalho artístico dela e trabalhar num ramo completamente diferente faz com que te queiras dedicar mais ao teu próprio trabalho sempre que podes. Houve um verão que ela passou em São Francisco, porque era suposto ir para o instituto de arte de lá mas faltou-lhe dinheiro. Ela foi na mesma, ficou em casa de um amigo e frequentou as aulas sem pagar. Trabalhou para um artista autoritário um outro verão embora preferisse muito mais trabalhar com o seu pai em algo completamente desvinculado da fotografia.

 

Depois de se formar em Hampshire, a Tanja passou por empregos que não tinham a ver com ela para pagar a renda. Voltou a São Francisco por uma curta temporada e apercebeu-se de como era difícil subsistir ali. O amigo dela arranjou um espaço giro para trabalhar/viver em Portland por pouco mais de 400 euros e a Tanja regressou. Eles instalaram uma galeria sem fins lucrativos no espaço, viviam na garagem e ela passou a poder trabalhar na sua fotografia. Foi o início da sua carreira enquanto artista. A galeria durou dois anos, de 1994 a 1996, e durante esse período ela fotografou de tudo.

 

Entre 1996 e 1998, ela começou a fotografar situações quotidianas. A sua tese em Hampshire baseava-se em autorretratos de nus e outras coisas. Estava na hora. Em 1998, ela estava a tomar café na cozinha e começou a fotografar da sua janela traseira todas as manhãs. A luz, a quietude do momento, foi o que passou a captar. Ganhou dinheiro de diversas formas, desde a servir à mesa a fazer inquéritos telefónicos para empresas. O objetivo era o de ganhar o máximo dinheiro que conseguisse no menor tempo possível para se pode focar no seu trabalho artístico. 

 

O trabalho na cozinha seduziu as galerias e o dinheiro estava a voltar. Ela começou a expor em Portland, depois em Boston e por fim em Nova Iorque, no Jim Kempner. As pessoas adoravam as paisagens dela. Eis um link para elas. Tanja começou a mostrar essa obra em 2000 e continuou a vendê-la até 2008, conseguindo dinheiro suficiente ao longo desses anos para comprar uma casa.

 

Ela tinha visto tantos artistas a desperdiçarem o dinheiro que ganhavam sem pensarem nos momentos baixos da vida de artista e queria ser responsável. Tanja era pragmática. Levou um ano a renovar a casa da maneira que queria. Apaixonou-se pela arquitetura e pelo design e começou a escrever num blogue acerca da reforma da casa. Tanja começou a aperceber-se da importância da hospitalidade e da comunidade. Era provavelmente a semente do projeto que estava para nascer.

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Tanja conseguiu um internato no Sul de França, embora já estivesse farta de paisagens. Era a primeira vez na vida dela em que tirava um mês de férias. Era uma prenda. Vivia numa espécie de castelo enorme e voltou aos nus. Nesse processo, começou a tirar fotografias a outros residentes do programa. Tirava até fotos de turistas ali hospedados. As pessoas podiam variar, mas o cenário não. Quando a Tanja voltou ao Maine, começou a dar jantares, fotografando cada um dos seus convidados. Partilhar refeições e retratos fotográficos dava-lhe um sentido de comunidade. Depois passou a tirar também fotografias aos amigos dos seus amigos. Imigrantes do Camboja começaram a estabelecer-se no Maine e ela fotografou-os também. Estávamos em 2009/2010.

 

A Tanja tinha reunido todos esses retratos, mas sentia quefaltava algo. Um grande amigo foi viver para o Afeganistão porque não queria enfrentar um casamento que tinha azedado. Ela estava mesmo chateada mas queria uma boa amiga. Começou a escrever-lhe longas cartas todos os domingos. Tornou-se num ritual. Ela ouvia rádio enquanto lhe escrevia e desligava toda a tecnologia.

 

Aconteceu uma véspera de Natal calhar a um domingo e ela estar a mandar mensagens a um amigo em Jacarta enquanto escrevia a carta. Dois amigos completamente distintos, com formas de comunicar completamente distintas e então fez-se luz. Tanja foi ao Facebook e viu que tinha 626 amigos. Encetou uma pesquisa acerca de outros artistas a trabalhar em projetos de media sociais que incluíssem as definições de família e amigos. Tanja decidiu que ia embarcar num projeto que consistia em visitar todos aqueles amigos e fotografar cada um deles e dar-lhes a oportunidade de dizer o que era para eles ser amigo.

 

Ela já não tinha dinheiro nenhum e publicou o trabalho dela num site onde era possível adquirir uma obra em troca de uma estória fantástica sobre a amizade. Conseguiu amealhar 9 mil euros. Criou uma folha de cálculo com as moradas de todos e começou a contar aos amigos o que ia fazer. O seu amigo em Washington percebeu logo. Este amigo da Tanja trabalhava para o Governo de Obama, era fotojornalista de guerra e era à data um dos quatro fotógrafos oficiais dele. Ela foi lá, visitou a Casa Branca e tirou uma foto do amigo no apartamento dela. Foi o primeiro passo do projeto. Tanja continuou a odisseia dela e foi a mais de 43 estados e 9 países tirar fotos dos amigos e perguntar-lhes o que significava para eles ser amigo. Até hoje, ela já tirou fotos a 354 pessoas e ficou em mais de 100 casas. Ainda tem mais 2 estados para visitar e 11 países.

 

As pessoas têm sido incrivelmente generosas. Tanja começou a colecionar publicações no Twitter em que se falasobre a amizade. Recentemente foi-lhe dada a oportunidade de dar a conhecer este projeto no MOCA, em North Adams Massachusetts, que estará patente dentro de poucos anos. O que começou por ser uma aventura pessoal tornou-se num projeto global sobre amizade, comunidade e hospitalidade. Como constituímos famílias, como os nossos mundos online se conectam aos nossos mundos offline. A sua exposição esteve patente no Jim Kempner no outono passado e os visitantes tinham stick-ups à disposição onde podiam escrever o que achavam que significava ser amigo.

 

Ela já não tinha dinheiro nenhum e publicou o trabalho dela num site onde era possível adquirir uma obra em troca de uma estória fantástica sobre a amizade. Conseguiu amealhar 9 mil euros. Criou uma folha de cálculo com as moradas de todos e começou a contar aos amigos o que ia fazer. O seu amigo em Washington percebeu logo. Este amigo da Tanja trabalhava para o Governo de Obama, era fotojornalista de guerra e era à data um dos quatro fotógrafos oficiais dele. Ela foi lá, visitou a Casa Branca e tirou uma foto do amigo no apartamento dela. Foi o primeiro passo do projeto. Tanja continuou a odisseia dela e foi a mais de 43 estados e 9 países tirar fotos dos amigos e perguntar-lhes o que significava para eles ser amigo. Até hoje, ela já tirou fotos a 354 pessoas e ficou em mais de 100 casas. Ainda tem mais 2 estados para visitar e 11 países.

 

As pessoas têm sido incrivelmente generosas. Tanja começou a colecionar publicações no Twitter em que se falasobre a amizade. Recentemente foi-lhe dada a oportunidade de dar a conhecer este projeto no MOCA, em North Adams Massachusetts, que estará patente dentro de poucos anos. O que começou por ser uma aventura pessoal tornou-se num projeto global sobre amizade, comunidade e hospitalidade. Como constituímos famílias, como os nossos mundos online se conectam aos nossos mundos offline. A sua exposição esteve patente no Jim Kempner no outono passado e os visitantes tinham stick-ups à disposição onde podiam escrever o que achavam que significava ser amigo.

 

Adoro este projeto. Tenho muito prazer em conhecer a Tanja. É a fusão da arte e da tecnologia. Super interessante, incrivelmente criativo e tão real. Como comunicamos uns com os outros. Este é o link para o projeto do Facebook dela. Aqui estão alguns dos post-its sobre a amizade. Mal posso esperar pela exposição no MOCA e seguir a rota da Tanja. Ela também já começou a seguir tweets acerca da amizade aos quais tinha respondido. Veja o discurso Ted dela. Ficamos a perceber melhor como é a Tanja concebeu este projeto que precisa de ser divulgado, porque é de facto um comentário social dos nossos tempos.

 

Para saber mais sobre Joanne, clique aqui.

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